quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Propostas de atividades para serem desenvolvidas com crianças e adolescentes

1- DINÂMICA DO BRINQUEDO DE JORNAL

Proposta: resgate de um momento da infância, valorizando a importância do brincar e do ser criança.
Desenvolvimento: cada participante monta com folhas de jornal um brinquedo que tem ou que gosta. Alguns voluntários relatam brevemente porquê fizeram o brinquedo.
Obs: colocar cantigas de roda de fundo.
Faixa etária: possível de ser realizada com qualquer faixa etária, adaptando a linguagem e a condução da discussão.
2- DINÂMICA DA INFÂNCIA DE MASSINHA
Proposta: resgate de um momento da infância, valorizando a importância do brincar e do ser criança.
Desenvolvimento: idem ao anterior, mas com uma massa feita pelos participantes (2 medidas de farinha de trigo, 1 medida de sal e água). Fazem a massa, montam o brinquedo/momento e apresentam.
Faixa etária: possível de ser realizada com qualquer faixa etária, adaptando a linguagem e a condução da discussão. Mais recomendada até os 10 anos.
3- TRIBUNAL

Proposta: discutir os direitos das crianças e adolescentes, clareando os argumentos que os legitimam.
Desenvolvimento: dividir a turma em dois grupos. Um grupo irá defender uma proposta, por exemplo, de que "a criança tem direito a brincar" e o outro grupo vai defender o oposto, de que "a criança não tem direito a brincar. À frente de cada grupo é colocada uma bandeirinha e, quem quiser falar um argumento para defender a proposta de seu grupo, pega a bandeirinha e fala. Depois é a vez do outro grupo refutar o argumento e, assim continuamente. Depois, os papéis podem ser trocados. Discutir sobre a facilidade ou dificuldade de defender uma proposta que faz ou não sentido para o grupo. Discutir os argumentos utilizados pelos grupos com base no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Faixa etária: possível de ser realizada com os grupos a partir dos 10 anos, adaptando a linguagem e a forma de condução da atividade e das discussões.

4- SEMÁFORO

Proposta: verificar se os direitos e deveres que as crianças têm estão sendo exercidos.
Desenvolvimento: cada criança receberá três pedaços de cartolina redondos (1 verde, 1 vermelho e 1 amarelo). O professor fala ou escreve um direito ou dever básico (também pode pedir para que as crianças falem, uma por vez) e, as crianças levantam a cartolina verde se o direito está sendo exercido, a vermelha se não e o amarelo se "mais ou menos" ou se tem dúvidas. Verificar quantos levantaram de cada cor e fazer uma breve discussão.
Faixa etária: possível de ser realizada com qualquer faixa etária, adaptando a linguagem e a condução da discussão. Mais recomendada até os 12 anos.
5- DEVER OU DIREITO
Proposta: identificar e diferenciar direitos e deveres.
Desenvolvimento: cada criança recebe dois pequenos pedaços de cartolina, sendo um pedaço de cada cor, por exemplo, verde e amarelo. O verde poderá identificar direitos e o amarelo deveres. O professor fala ou escreve um direito ou um dever (também pode pedir que as crianças falem, uma por vez) e pede que as crianças levantem um dos pedaços de cartolina, conforme elas acharem que é um dever ou um direito. Verificar quantas levantaram de cada cor e fazer uma breve discussão/reflexão.
Faixa etária: possível de ser realizada com qualquer faixa etária, adaptando a linguagem e a condução da discussão. Mais recomendada até os 12 anos.
6- RUA DE LAZER (RESGATE DE BRINCADEIRAS INFANTIS)
 
O direito de brincar é verdadeiramente um direito básico de cada criança. As crianças sem diversão, sem brinquedos, são crianças sem infância. Mas o valor da brincadeira não se reduz à recreação. O jogo é um espelho da sociedade, reflete seus valores básicos e os transmite à criança.
Se a saúde não significa apenas a ausência de enfermidades, mas a realização de possibilidades de desenvolvimento de cada indivíduo na esfera física, social, emocional, moral e cognoscitiva, a promoção da brincadeira faz, então, indiscutivelmente, parte da medicina preventiva. Se fossem dadas a cada criança as condições para um desenvolvimento humano saudável, estaríamos no começo de uma maior igualdade, que inclui dar-lhes a possibilidade de brincar.
Proposta: resgate de brincadeiras infantis e de rua, valorizando a importância do brincar e do espaço comunitário.
Desenvolvimento: em algum lugar da escola, ou se puder isolar uma rua próxima, ou uma praça, montar uma Rua de Lazer, com diversas atividades, desde brincadeiras infantis até jogos esportivos.
Faixa etária: dependendo do espaço, possível de ser desenvolvido em conjunto com diversas faixas etárias, adequando as atividades.
7- OFICINA DO ECA

1º- sensibilização com a apresentação das declarações dos direitos universais das crianças.
2º- Discussão, levantamento de questões fazendo um paralelo entre direitos das crianças e a real situação daquelas que estão submetidas a condições precaríssimas de vida.
3º- Em papel kraft, formam-se grupos que irão por no papel através de símbolos, desenhos, palavras o que mais lhes chamou atenção na declaração.
4º- apresentação do ECA, o que é, como surgiu, leitura dos direitos e deveres (síntese/texto base).
5º- Comentários sobre ação do Conselho Tutelar.
6º- Pesquisa em jornais e revistas sobre matéria que tratem sobre o tema e a situação da criança e do adolescente hoje e os 10 anos do ECA.
7º- Formação de pequenos grupos ou duplas que escolherão a matéria que mais lhes chamou a atenção.
8º- Leitura, discussão nos grupos, com a intervenção do professor.
9º- Registro - síntese a cercado que leram (informações e comentários).
10º- Correção dos textos.
11º- No laboratório de informática, digitação dos textos.
12º- Diagramação dos textos com figuras / fotos para montagem de um jornal ou, de um painel/mural.
8- OFICINA SOBRE O ECA

A) Dinâmica sobre o Estatuto

Os participantes escreverão num papel os direitos que cada qual crê possuir, dividindo-os entre:
- os que são reconhecidos facilmente;
- os que são reconhecidos com grande dificuldade ou que não são reconhecidos;
Os participantes anotarão também os direitos dos outros que lhes custa aceitar e reconhecer os direitos que são violados com maior freqüência.
Formar-se-ão pequenos grupos para trocar idéias sobre as anotações.
Questionamentos para provocar a discussão:
Por que alguns direitos são reconhecidos e outros não?
Por que existe a dificuldade em reconhecer que a criança e o adolescente são cidadãos que tem direitos, apesar do ECA já existir há 12 anos?
Por que existem dificuldades para implantação do Estatuto pelo Poder Público?
Por que vacilamos em admitir os direitos dos outros e defendemos os nossos acintosamente?
Após a discussão, a partilha será feita através da troca dos trabalhos entre os grupos, num primeiro momento e a síntese das conclusões posteriormente. 

B) Discutir eixos importantes do ECA
 
Em pequenos grupos, analisar o que o estatuto prevê e o que de fato acontece em relação a alguns eixos, como educação, saúde, medidas sócio-educativas, convivência familiar. Poderão discutir nos grupos o mesmo eixo e verificar as conclusões semelhantes e diferentes ou, discutir eixos diferentes e, depois, cada grupo explica para o restante da turma o que foi concluído.
Elaboração de um fanzine, de um mural ou de um painel que trará a síntese dos trabalhos
C) Pesquisar sobre os órgãos mencionados no ECA
Pesquisar para o que são e para que servem o Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA); os Conselhos Tutelares e o Ministério Público.
Pesquisar a importância desses órgãos para a fiscalização do cumprimento do Estatuto e quais são as dificuldades desses órgãos? 

9- OFICINA SOBRE PROTAGONISMO JUVENIL

1ª Etapa: conceituar o que é participação.
Numa folha grande de papel pardo os participantes escreverão o que cada um entende por participação. Feito isso, uma pessoa lê em voz alta, enquanto o coordenador sublinha os pontos que o grupo achou mais importante.
Leitura do Estatuto (artigos 15 e 16) e do artigo 21 da Declaração do Direitos Humanos:
"1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público de seu país.
3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto, ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto."
Discussão de pontos como:
- Como é a nossa participação no cotidiano?
- A participação é importante para o exercício da cidadania?
- Em quais espaços e de que forma estamos participando das coisas que acontecem na minha casa, na minha comunidade, na minha cidade, no meu país?
- Como podemos melhorar a nossa atuação?


Fonte: Fórum dos Direitos da Criança e do Adolescente do Butantã
produziu este material. 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

RODAS DE TERAPIA COMUNITÁRIA


CONVITE
 RODAS DE TERAPIA COMUNITÁRIA

A Terapia Comunitária é um espaço de partilha, troca, comunhão de vivências e experiências de vida, desafios, sofrimentos, problemas e auto-soluções… enfim, um espaço de promoção da saúde e da vida.
O CREAS está retornando as Rodas de Terapia Comunitária como forma de fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, e convida toda a família CREAS para participar conosco deste momento de partilha.
Todas as quintas-feiras a partir das 14:30 aqui no CREAS


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Os hábitos familiares e a transmissão dos valores

Justiça, igualdade, tolerância… São palavras que cada dia mais se escutam nas escolas. A “Educação nos Valores” já está presente no curriculum escolar, mas isso não é suficiente. Ficar no nível teórico não serve de nada. E, na prática, esquecemos frequentemente que palavras tão grandiosas como “Empatia” ou “Respeito” se traduzem em premissas tão singelas como “não atirar papéis para o chão”, “ceder o assento a quem mais o necessite” ou “abrir a porta a quem vai carregado”.

Que a “Educação nos Valores” tenha chegado às escolas é um passo que realmente devemos celebrar: Saber ser pessoa, é mais importante, do que saber resolver integrais ou saber em que ano começou a Revolução Francesa. Entretanto, enquanto que a instrução e formação intelectual é um objectivo a conseguir primordialmente através da escola, a educação e desenvolvimento pessoal é-o através da família.

Nunca devemos esquecer que o lar é o autêntico formador de pessoas. As crianças aprendem continuamente através dos seus pais, não só o que estes lhes contam, mas também, sobretudo, pelo que vêem neles, como actuam, como respondem perante os problemas. Em definitivo, as crianças observam e copiam o proceder dos seus pais perante a vida. A autêntica educação nos valores transmite-se, passa dos pais para os seus filhos desde o dia do nascimento até ao final da vida. Não obstante, tem uma importância relevante durante os primeiros anos. Até aos seis ou sete anos de idade as crianças possuem uma moral denominada “heterónima”, ou seja, a sua motivação para fazer as coisas de uma maneira ou de outra é corresponder ao queo papá e a mamã desejariam: o que dizem os pais são “verdades absolutas”. Conforme crescem vão compreendendo melhor por que é importante actuar de certa forma e não de outras, mas seguem, sempre, guiando-se pelo que vêem em casa, especialmente até aos doze anos. Daíí a tremenda importância de educar as crianças através do exemplo, para desenvolver uma educação cívica.

Faz o que eu faço

Todos temos na mente uma ideia de como gostaríamos que fosse a sociedade, em que mundo queremos que vivam os nossos filhos: um sitio limpo, em que as pessoas se ajudem e respeitem, onde todos tenhamos os mesmos direitos… Depois saímos à rua pensando no trabalho, nas compras, na ortodoncia do menino e esquecemo-nos de todos esses bons propósitos. De repente, queremos ser os primeiros a sair do metro, incomoda-nos o carro que torna lenta a circulação, esquecemo-nos de dar os bons dias ao porteiro… e assim, dia após dia, diante o olhar sempre atento das crianças, que, já se sabe, absorvem tudo como esponjas.

Já comentámos que, até os doze anos aproximadamente, o lar é a principal fonte de valores, direitos e deveres da criança. Agora também terá que se dizer que há coisas que dificilmente se aprendem mais tarde. Se em pequenos não nos acostumamos a guardar o pacote no bolso quando não há um cesto de papéis à mão, a não pôr a música muito alta para não incomodar o vizinho, a dizer obrigado quando nos fazem um favor ou a não insultar os que são diferentes, será mais complicado aprendê-lo mais tarde. Porque o civismo, o respeito, a honestidade e todos os valores humanos são em grande medida hábitos, rotinas que aprendemos em família, de forma inconsciente, e que mais adiante chegamos a valorizar com a reflexão que permite a maturidade.

Por isso, a melhor forma de transmitir valores, de aprender a viver em sociedade, é não aplicar jamais a tão popular frase de “faz o que eu digo e não o que eu faço”. Se quisermos que nossos filhos alcancem essa sociedade tão sonhada devemos começar por criá-la nós mesmos e “fazer o que dizemos”.

Que “hábitos-valores” fomentar?

Decerto que vocês mesmos têm a resposta. Só têm que pensar que tipo de pessoas gostariam que fossem os vossos filhos e actuar em consequência. Como vimos, a coerência entre as ideias que querem transmitir e a forma como se actua em casa é a chave principal.
A maioria das pessoas considera como nobres os mesmos tipos de valores. Entretanto, às vezes é difícil reconhecer em nós mesmo onde encaixa a conexão entre “crenças” e “forma de ser”. Estes conselhos podem ajudar a reflectir sobre isso:
Se quiserem que o vossofilho seja uma pessoa razoável, raciocinem com ele desde o primeiro dia. Não utilizem o “porque eu digo”. Logicamente haverá muitas ocasiões em que tenham que lhe ordenar as coisas, mas sempre podem argumentar o motivo.
O respeito onde primeiro se observa é entre os pais. As decisões no casal devem ser sempre compartilhadas. Se discutem, façam-no de forma tranquila, sem recriminar. Saber viver em sociedade é saber aceitar as opiniões distintas.
Onde mais se fomentam os estereótipos é no lar. Pensaram alguma vez em coisas como quem limpa a casa?, quem troca as lâmpadas?, etc. Tratem de compartilhar entre vós os distintos papéis.
Se se preocuparem com as influências externas pensem que têm uma arma muito importante ao vosso alcance: os vossoscomentários. Falem com o vossofilho sobre a opinião que merecem as actuações dos outros (tanto no positivo como no negativo). Isto é importante, sobretudo, contra a influência da televisão.

Compreender ajuda a aprender

Os valores transmitem-se através do exemplo, mas assentam com força, graças à compreensão de que são necessários. Como podemos ajudar uma criança pequena a perceber esta importância? Uma boa maneira é aplicar a fórmula de “faz pelos outros o que gostarias que fizessem por ti, e não lhes faças o que não gostarias que te fizessem”. Por outras palavras, colocar as crianças na hipótese de serem eles os protagonistas de certas atitudes. É muito mais eficaz para que o vossofilho a entenda, dizer-lhe: “Gostarias que se rissem de ti porque usas óculos? como te sentirias?”, do que lhe dizer simplesmente: “Não deves rir do João por ter aparelho nos dentes”.

(Esther García Schmah, Pedagoga, www.solohijos.com, www.mujernueva.org)

Saber escutar: uma demonstração de amor

«Não é nada fácil, hoje em dia, encontrar alguém que saiba escutar. Muitos ouvem, mas são poucos os que escutam. Já o diferencia o dicionário da nossa amada língua portuguesa: “ouvir” é ter o sentido da audição; “escutar” é ouvir prestando atenção. Prestar atenção não é um detalhe de pouca importância – faz toda a diferença! Sobretudo, quando experimentamos a necessidade vital de que alguém nos compreenda.

«Nesse caso, agradecemos que a pessoa com quem falamos não somente nos ouça, mas pedimos-lhe encarecidamente que também nos escute. Que procure sintonizar com aquilo que lhe estamos a tentar dizer. Só assim, sentimos de verdade paz na alma e alívio no coração».

Sábias palavras! De se lhe tirar o chapéu, sim senhor! É verdade: actualmente são poucos os que realmente escutam os outros com interesse. E é certo e sabido que, se as pessoas não se escutam umas às outras, a sociedade deixa de existir.

E se a “sociedade” é a lá de casa, deixa de haver família. No lugar dos familiares que convivem no mesmo lar, surge um conjunto de indivíduos que, por pura coincidência, vivem na mesma casa. E, evidentemente, não desejam ser aborrecidos com problemas que não são os seus. “Está alguém metido numa alhada? Que se desenvencilhe sozinho! O que é que eu tenho a ver com isso?”.

É uma descrição – talvez um pouco exagerada – daquilo que conhecemos como isolamento. E o isolamento, por muito atraente e simplificador que possa parecer à primeira vista, acaba por gerar apatia. E a apatia, se não for contrariada, mais cedo ou mais tarde leva ao desespero, por muito dissimulado que ele esteja.
É relativamente fácil constatar que, na vida de um casal, quando há problemas no relacionamento mútuo, geralmente esses problemas começaram quando se deixou de escutar o outro. Escutar às vezes pode ser sinónimo de sofrer, como diz A. Polaino. E o sofrimento leva à infelicidade – quando não se aceita como uma demonstração de amor. Sem sentido cristão, o sofrimento no convívio com os familiares pesa muito, fecha o horizonte de felicidade e torna-se uma tragédia. Se não for “curado” a tempo, pode gerar cinismo com o passar dos anos.

Escutar é, naturalmente, uma demonstração de amor. Uma demonstração de genuíno interesse pela pessoa amada. Deixar de escutar é, simplificando, começar a deixar de amar. Porque ainda que possa parecer exagerado, quando marido e mulher não se escutam, estão a começar a perder o respeito um pelo outro. E sem respeito, não há amor – excepto nas sociedades da caverna onde a marretada era uma demonstração de carinho.

Aprender a escutar com interesse. Escutar é, entre outras coisas, saber colocarmo-nos nas circunstâncias dos outros. Assim, veremos os acontecimentos com serenidade e compreensão. E mais facilmente desculparemos, quando isso for necessário. Mas sobretudo, como dizia S. Josemaria, encheremos este nosso mundo de caridade, que é aquilo que ele tem mais necessidade.
(Rodrigo Lynce de Faria)

Fonte:http://familia.aaldeia.net/saber-escutar/

O silêncio dos pais

          Antes, os pais de família educavam; com maior ou menor acerto, mas educavam. Podemos dizer que na actualidade existem muitos casos de medo a exercer o mando; esse temor em pais desorientados é um fenómeno relativamente recente. E esse medo tem uma estreita relação com o desejo de não sofrer, por um lado, e a falta de informação por outro. Expliquemos isto: existe um medo generalizado ao sofrimento próprio e alheio – fruto possivelmente do anseiode prazer que nos invade -; assim vai ganhando terreno uma política de concessões na educação dos menores.

       Aristóteles diz que o homem feliz actuará conforme a virtude e levará as mudanças de fortuna com máximo decoro. Escreve: “difunde-se o resplendor da formosura moral quando um homem suportacom serenidade muitos e grandes infortúnios, não por insensibilidade à dor, mas sim porque é bem nascido e magnânimo”.
      A autoridade é tema chave na educação; o problema radica em que muitos pais e dirigentes não têm suficiente personalidade e em muitas ocasiões possuem uma ideia errada da autoridade.
Possivelmente o resultado mais valioso de toda a educação éa capacidade para obrigar-se a fazer o que tem que fazer e quando deve fazer-se, goste ou não.

     Em vez de oferecer uma vida fácil ao filho, convém capacitá-lo para uma vida dura e áspera. Terá que iniciá-lo, sem olhares de falsa compaixão, nos esforços que provavelmente terá que desenvolver um dia.
Enquanto a conduta dos jovens se encontra num estado moldável,é necessário que adquiram bons hábitos: cada pequeno acto, vicioso ou virtuoso, deixa cicatrizes neles.

Falta de informação

       O medo também se dá nos pais por falta de informação: não sabem o que fazer aos filhos no tempo livre ou quando não estão com eles, e não sabem o que se deve fazer num mundo em constante transformação.
Este temor ao exercer a autoridade pode ser favorecidopelas telenovelas, onde com frequência o tema se centra nas recriminações dos filhos aos pais; culpam-nos das suas falhas ou fracassos, aludindo a erros que os pais cometeram na sua educação, e não reconhecem que boa parte do mal procede do próprio coração.
Paternalismo é “dar o peixe e não ensinar a pescar”.

Autoridade e Prestígio

        Os pais têm autoridade pelo facto de serem pais; mas a autoridade mantém-se, perde-se ou recupera-se pelo modo de comportar-se. Não será real se lhe faltar o prestígio.
A palavra “prestígio” pode serambígua. Não é o mesmo o prestígio dum desportista, dum professor ou dum pai de família. Como se tem prestígio com os filhos? Pelo modo de ser, isto é: pelo bom humor, a serenidade e a naturalidade. Há diferentes estilos de bom humor, mas todos se apoiam no optimismo e em saber esperar, o que se concretiza em dizer: confio em que és capaz,espero coisas boas da bondade do teucoração.
       O optimismo, a serenidade e a confiança asseguram as melhores condições para actuar com firmeza e com flexibilidade, com suavidade e com fortaleza: SUAVITER ET FORTITER, como diziam os antigos romanos.

        A palavra autoridade deriva de “auctoritas”, que significa a força que serve para sustentar e acrescentar; “auctor” é o que sustenta uma coisa e a desenvolve. A palavra autoridade conservou a significação clássica de crédito, garantia, poder e prestígio.
        Têm prestígio os pais que são muito pormenorizados e muito flexíveis, mas quesão capazes de manter uma linha de actuação, sem dar inclinações bruscas, graduando a exigência segundo as circunstâncias, sem deixar nunca de exigir e de se exigirem a si mesmos a melhora.
Desprestigiam a solenidade e o dramatismo, o atirar à cara, o lamentar-se, os julgamentos temerários e o mau humor.
        A autoridade é virtude, prestígio; é a ciência e a eficácia duma pessoa num assunto, reconhecida por outras pessoas. A autoridade não é independência, mas sim atendimento, não é majestade mas sim excelência. A autoridade pertence ao reino da qualidade.
      Quanto ao modo de exercê-la, a autoridade trata de convencer, de comprovar a sua validez; recorre ao diálogo como instrumento de governo e aceita, num clima de liberdade, o compromisso de cada uma das partes com a verdade.

O prestígio do outro cônjuge

        A autoridade vista como atendimento deve gastar-se, em primeiro lugar, em fomentar o prestígio do outro cônjuge. A vida matrimonial não é uma competiçãoonde no final se verá quem ganha. É harmonia, colaboração, ou ao menos assim deveria sê-lo. Qualquer delicadeza é pouca neste sentido. Há sugestões que ajudam os filhos a descobrirem no seu pai ou na sua mãe valores que lhes tinham passado inadvertidos.   Há também silêncios inoportunos e omissões, que podem fazer sofrer inutilmente.
       Existe uma valorizaçãoexagerada das frustrações infantis. Com medo de que a criança se traumatize evitam-lhe esforços, sofrimentos e obstáculos, que serviriam para forjaro seu carácter. Mais adiante na vida, se por acaso elaos apresenta, não sabem enfrentar-se com eles… e é então quando na verdade correm o perigo de trauma.
      O normal é que na vida humana haja dor; quando uma criança é protegida em excesso, é difícil que amadureça e que se valha por si mesmo.
       Se um pai desautorizar a sua esposa diante do filho, a autoridadedegrada-se. Pelo contrário, a potencialização da autoridade do outro pode-se fazer destacando um detalhe, nessas conversações privadas com cada filho: “Reparaste em…” e menciona-se um facto edificante ou destaca-se uma virtude. Há coisas ditas de passagem que ajudam a querer-se mais, a estabelecer uma base mais sólida para o exercício da autoridade.
Em resumo poderia dizer-se: “Mais vale educar com deficiências que não educar”.

(Rebeca Reynaud, www.yoinfluyo.com)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Aniversário do ECA





"Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais." - Estatuto da Criança e do Adolescente.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Tristezas e alegrias ao dobrar dos sinos



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  Gerivaldo Neiva *

Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se tivesse perdido um promontório, ou perdido o solar de um teu amigo, ou o teu próprio. A morte de qualquer homem diminui a mim, porque na humanidade me encontro envolvido; por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.” John Donne

Dois momentos de tristeza e um de esperança tomaram conta de mim há alguns dias. Não muitos, aliás. Vou começar falando dos momentos tristes e deixar a esperança para o final.
Primeiro momento: houve uma manifestação em frente ao fórum da comarca e saí para observar e saber o que queriam os manifestantes. Seguinte: havia acontecido um crime há alguns dias e pessoas amigas da vítima estavam se manifestando silenciosamente no portão do fórum, portanto faixas e cartazes, clamando por “justiça”. Aproximei de uma jovem adolescente, 14 ou 15 anos, e indaguei o que significava para ela, naquele caso, a “justiça”. A resposta: “Que esse monstro (o acusado) apodreça na cadeia”.
Segundo momento: minha filha, 13 anos, estudante em escola de classe média, chegou em casa entusiasmada para me contar que houve uma discussão na sala de aula sobre a pena de morte. Ávido, perguntei como tinha sido o debate. A resposta: muitos colegas defenderam a pena de morte como solução para a criminalidade no país, mas outros colegas defenderam penas alternativas: prisão perpétua, trabalhos forçados e que os ladrões deveriam ter a mão decepada para que não roubassem mais.
Agora, vamos à esperança.
A professora, minha filha e outros colegas argumentaram contra a pena de morte e defenderam que presos deveriam estudar na prisão para trabalharem quando saíssem de lá. Claro que fiquei orgulhoso de minha menina, mas não posso esquecer os dois momentos que antecederam esta alegria, ou seja, uma adolescente defendendo que um acusado, agora um “monstro”, apodrecesse na cadeia e estudantes de 13 e 14 anos defendendo pena de morte, prisão perpétua, trabalhos forçados e mutilação.
Não satisfeito com minha alegria de pai, passei a buscar razões que explicassem aquela forma de pensar dos adolescentes. Sem método algum e baseado quase sempre no senso comum, refleti inicialmente que eram ainda adolescentes e sujeitos a toda sorte de influências ideológicas: família, religião, escola, televisão, propaganda em geral, Internet etc. Isto é fato. De outro lado, também era fato que para uma adolescente o sentido da prisão era de que o criminoso “apodrecesse” nela, mas para outros adolescentes a prisão poderia ser o lugar do aprendizado e da formação profissional. Assim, como também é fato que esses adolescentes não nasceram com uma concepção formada acerca desses e de outros temas, certamente estavam apenas reproduzindo ideias e conceitos que adquiriram em seu processo de formação. Cada um era, portanto, o resultado de uma história de vida. Cada um é sua própria história.
Custo a acreditar, de outro lado, que também é apenas resultado de uma história de vida as concepções perversas e desumanas dos adolescentes que defenderam, nesta quadra da história, o retorno de penas cruéis para o nosso mundo ocidental e dito civilizado. Não tenho alternativa, porém, para não admitir que também esses adolescentes não nasceram com essas concepções e que estavam apenas reproduzindo um discurso. Infelizmente.
Pois bem, como gosto muito de conversar com estudantes, fiquei pensando o que diria àquela menina da porta do fórum e aos colegas de minha filha sobre suas respostas e concepções sobre o crime, o criminoso e sobre o sentido da pena. Pensei, inicialmente, que poderia fazer um breve histórico das teorias dos crimes e das penas; que poderia fazer uma análise mais sociológica sobre as causas da criminalidade; que poderia usar uma pedagogia mais radical e levá-los para conhecer a realidade das prisões e a história dos que estão presos etc etc.
Não sei se com isso mudariam de opinião. Penso, na verdade, que iriam entender as teorias criminológicas e a lógica perversa de um sistema excludente e concentrador da riqueza, mas ainda vai lhes faltar o essencial: superar esta enorme dificuldade, por conta da carga ideológica consumista e individualista que recebem diariamente, de se encontrar no outro. Podem chamar isso também de alteridade, humanismo, solidariedade ou outro sentimento qualquer. O que tenho certo, penso eu, é que jamais seremos plenamente felizes, nem eu e nem eles e nem a humanidade, se não entendermos que os sinos dobram para cada um de nós e que a existência só faz sentido se conseguirmos encontrar um pouco de nós em todos os pobres e excluídos do mundo. Só assim, portanto, quando tivermos a condição de tremer de indignação cada vez que uma injustiça for cometida em qualquer parte do mundo, como queria Che Guevara, seremos homens e mulheres de verdade.
Não posso deixar de registrar, por fim, que apesar da tristeza inicial, vejo ainda o mundo com esperança. Como prova disso, senti um profundo orgulho de minha menina debatendo contra a pena de morte e, enquanto escondia uma lágrima teimosa, dei-lhe um abraço carinhoso e cheio de esperança de que ela ainda vai viver em um mundo melhor.
* Juiz de Direito (BA), membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD), 31 de agosto de 2011.